A utilização de tecnologias no âmbito das Energias Limpas, ou seja eficiência energética e energias renováveis tem crescido enormemente nas últimas décadas.
Tecnologias, consideradas no passado como exóticas, estão agora disponíveis no mercado, representando alternativas economicamente viáveis aos sistemas baseados na utilização de combustíveis fósseis com todos os problemas associados, nomeadamente no que concerne à emissão de gases com efeito de estufa.

Quantas licenças de emissão serão distribuídas gratuitamente par ao novo período, 2008-2013, às instalações portuguesas?

As licenças de emissão a atribuir gratuitamente pelo Estado Português, no âmbito do PNALE II português, serão de 34,8 milhões de toneladas de CO2 e/ano entre 2008-2012. Este valor já inclui o corte de licenças anunciado por Bruxelas em Outubro de 2007, superior a 8% em relação à primeira propsota apresentada em 2006.

As instalações portuguesas terão que reduzir assim as suas emissões em três milhões de toneladas face ao primeiro período de atribuição de licenças (2005-2007).

Durante esse mesmo período, comparando com as licenças de emissão do PNALE I, em 2006 Portugal emitiu menos do que lhe era permitido, isto é, havia excesso de emissões atribuídas face às realizadas.

Em 2006, a 254 instalações industriais ao abrigo do Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE) deixaram por usar 3,9 milhões de toneladas de CO2e, tendo em conta que o montante de reservas para este fim era de 5,1 milhões de toneladas.

QUAIS AS OPÇÕES DISPONÍVEIS PARA EVITAR ESSAS SANSÕES POR NÃO CUMPRIMENTO?

Não existe um limite para as emissões de uma instalação individual, desde que esta adquira direitos de emissão suficientes. Há várias opções disponíveis, o que permite que cada instalação escolha a(s) que lhe permita(m) menores custos:
- Redução das emissões: por redução da produção ou através do investimento em melhores tecnologias e/ou formação dos funcionários;
- Transação de direitos de emissão: os países (e respectivos agentes sectoriais) que ultrapassem as emissões estipuladas podem comprar "títulos de emissão" (ou direitos) aos países (ou agentes sectoriais) que os conseguirem poupar e que os pretendam vender. A Directiva prevê a possibilidade de reconhecimento mútuo de títulos ou licenças de emissão entre o regime comunitário e outros regimes de comércio de emissões de GEE;
- Investimento em projectos de MDL ou IC: é possível a conversão de créditos relativos a MDL e à IC em licenças de emissão equivalentes, passíveis de transacção nommercado europeu e/ou utilização para cumprimento das metas de redução de emissões.

O principal argumento económico subjacente ao comércio de emissões é a garantia de que a redução das emissões necessária para atingir um resultado ambiental predeterminado terá lugar onde o seu custo for menor. O comércio de emissões permite que uma instalação emita mais do que a sua quota inicial atribuída e esteja dispostaa transferir os seus direitos de emissão "excedentários".

O resultado ambiental global é igual ao que seria obtido se as duas instalações utilizassem exectamente os direitos de emissão que lhes foram inicialmente atribuídos, mas com a diferença de que tanto a instalação que compra como a que vende beneficiam da flexibilidade oferecida pela transacção, sem desvantagens para o ambiente e obtida aos menores custos.

As reduções de emissões serão feitas onde tal for mais barato. Todos os EM que não tenham possibilidades d ereduzir as suas emissões com custos tão baixos, beneficiarão das reduções mais baratas através da aquisição de direitos. Por conseguinte, o comércio de emissões beneficia não só a compra, mas também quem vende.

A directiva foi transposta par ao direito interno através do Decreto-Lei n.º233/2004, de 14 de Dezembro.
Qualquer pessoa pode ser titular de licenças de emissão.

Em que consiste o Fundo de Carbono?

O Fundo Português de Carbono, previsto pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 53/2005, e estabelecido pelo decreto-lei n.º71/2006, é um instrumento operacional destinado a financiar medidas que facilitem o cumprimento dos compromissos do Estado Português no âmbito do Protocolo de Quioto e ao melhor preço, ou seja, o que não for alcançado com medidas internas, para redução das nossas emissões, será adquirido através desde Fundo.

A actividade do Fundo centra-se na obtenção de créditos de emissão por via dos mecanismos de flexibilidade previstos no Protocolo de Quioto ( Comércio de Licenças de Emissão, projectos IC ou MDL).

O Orçamento de Estado tranferirá anualmente para o Fundo Português de Carbono, em termos plurianuais, 348 milhões de euros a partir de 2007 e até 2012. O Fundo será "alimentado" por exemplo, pelas taxas sobre as lâmpadas de baixa eficiência ou com o aumento do preço do gasóleo para aquecimento.

Em Fevereiro de 2007, o Ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, anunciou que o Governo vai lançar ainda em 2007 e através do Fundo, concursos internacionais para empresas privadas que estejam interessadas em desenvolver Projectos de MDL e tem em negociação protocolos noutros países africanos e do Leste Europeu.

Em Março de 2007, o Secretário de Estado do Ambiente revelou que o Fundo poderá apoiar o regresso da pastorícia às zonas protegidas, uma actividade considerada importante para o combate às emissões e prevenção de fogos florestais, dado que os estudos apontam que uma boa gestão das pastagens em zonas protegidas aumenta a retenção de carbono.

O Fundo de Carbono dentro das suas linhas de acção, prevê o apoio a projectos, em Portugal, na área de sumidouros de carbono (como seja a gestão agrícola, a gestão florestal e a gestão e pastagens) que conduzam a uma redução de emissões de GEE (DL n.º 71/2006, de 24 de Março).

EM QUE CONSISTE O COMÉRCIO DE EMISSÕES?

A Directiva n.º 2003/87/CE, modificada pela Directiva n.º 2004/101/CE (Directiva Linking), cria um regime económico de comércio de licenças de emissão de GEE na Comunidade, a fim de promover a redução das emissões de GEE em condições que ofereçam uma boa relação custo-eficácia e sejam economicamente eficientes, contribuindo eficazmente para os compromissos da União Europeia e dos seus estados-membros (EM) no âmbito do Protocolo de Quioto.

A Directiva estabelece dois períodos:
a) 2005-2007 (primeira fase de mercado; período experimental da directiva);
Desde Janeiro de 2005, cada EM ficou sujeito obrigatoriamente ao comércio europeu de licenças de emissão de GEE para as actividades específicas de vários sectores, em particular energia e instalações industriais de fabrico de pasta de papel.
A experiência de comércio de emissões de GEE adquirida nesta fase preliminar permite preparar o início do regime internacional de comércio dde emissões no âmbito do Protocolo de Quioto, previstom para iniciar em 2008.

b) 2008-2012
A partir de 2008, os Estados-Membros podem aplicar o regime de comércio de licenças de emissão a actividades, instalações e GEE não enumerados na Directiva, desde que a sua inclusão seja aprovada pela Comissão.

Para cada período, cada EM elaborou um Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão (PNALE), de acordo com critérios comuns de forma a proteger o mercado interno. Os PNALE estabelecem a quantidade total de licenças de emissão a atribuir pelo Estado-membro (em Portugal via Agência Portuguesa do Ambiente) e o respectivo método de atribuição aos agentes sectoriais abrangidos por este mercado. A Directiva estipula que cada EM atribua, gratuitamente, pelo mesno 95% das licenças de emissão para o primeiro período (2005-2007) e pelo menos 90% das licenças de emissão para o segundo período (2008-2012).

Em Portugal a Direcção-Geral de Geologia e Energia acompanha a implementação nacional do regime de comércio de licenças de emissão de GEE na Comunidade Europeia.

A licença de emissão de GEE deverá ser requerida por todas as instalações abrangidas pelo regime. Esta impõe a obrigação das instalações possuírem direitos e emissão equivalentes às emissões efectivamente realizadas de GEE (expressas em toneladas de equivalente de dióxido de carbono).

Esta licença estabelecerá os riquisitos de monitorização, comunicação e verificação respeitantes às emissões de GEE especificados em relação às actividades abrangidas, criando o enquadramento para a participação da instalação no regime de comércio e emissões.

Os operadores dessas instalações têm que apresentar, anualmente, um número suficiente de direitos de emissão para cobrir as suas emissões de GEE relevantes verificadas no ano civil anterior e com vista à sua anulação.

A não apresentação de direitos de emissões suficientes para cobrir as emissões verificadas resultará na imposição e sanções elevadas pelos Estados-membros para as instalações incumpridoras: pagamento de uma multa, para além de obrigatoriedade de aquisição de direitos no mercado que compensem as emissões adicionais de GEE, de acordo com o princípio do "poluidor-pagador".

Mas qual a diferença entre implementação conjunta (IC) e mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL)?

Com este tipo de projectos (MDL e IC), os países podem cumprir parte dos seus objectivos de redução e obter créditos de emissões financiando projectos que fomentem nomeadamente a transferência de tecnologia para reduzir os GEE e aumentar as remoções líquidas destes gases, incluindo sumidouros florestais, energias renováveis, tecnologias de baixo consumo energético e redução de emissões de resíduos urbanos, entre outras.

O MDL é idêntico à IC, com a diferença dos projectos ocorrerem entre países com objectivos de redução e países sem esses objectivos, como é o caso dos países em desenvolvimento.

O MDL pretende assegurar um desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento, para que não sejam também eles emissores. No MDL há um incentivo para a "acção imediata", porque os países em desenvolvimento não estarão a reduzir as suas emissões de GEE em relação a nenhum ano base. Da perspectiva do aumento de temperatura, os países em desenvolvimento estão a diminuir a sua responsabilidade futura no aquecimento global.

A IC pode criar um "passivo ambiental", porque enquanto um país recebe o crédito, o outro adquire uma dívida; já no MDL não há dívida, não há a criação de "passivo ambiental" – o PQ refere apenas os créditos que advirão para os países desenvolvidos por meio de reduções certificadas de emissões no âmbito do MDL.

Como pode então cada país atingir as metas de emissões de GEE impostas pelo Protocolo de Quioto?

Para além do desenvolvimento de políticas e medidas nacionais (em Portugal concretizado pelo PNAC), o Protocolo de Quioto prevê três mecanismos de mercado para atingir o objectivo global de redução de emissões de GEE:

comércio internacional de emissões – transacção internacional de direitos de emissão: as cotas de emissão de cada país serão transformadas em licenças de emissão transaccionáveis entre os países desenvolvidos; o limite global de emissões mantém-se inalterado, mas os países que excedam os limites impostos às suas emissões podem comprar licenças de emissão a países que estejam abaixo do respectivo limite; espera-se que esta compra represente uma despesa cada vez mais pesada, funcionando assim como mecanismo de encorajamento à adopção de tecnologias mais limpas (que sejam mais baratas); vide abaixo o comércio europeu de emissões;

implementação conjunta (IC) – transferência de unidades de redução de emissões em qualquer sector da economia e entre os países que possuam metas de emissões; esses países ou as suas empresas podem cumprir parte dos seus objectivos de redução financiando projectos eco-eficientes noutros países em igualdade de circunstâncias, mas onde os custos sejam mais baixos;

mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) – implementação, por parte dos países com metas de emissão, de projectos em países sem essas metas e que resultem em reduções certificadas de emissões.

Como surgiu o Protocolo de Quioto?

Para dar resposta à ameaça global das alterações climáticas, 175 países, incluindo Portugal, no âmbito da União Europeia e com base nos relatórios do IPCC, assinaram a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (CQNUAC) em 1993 e o Protocolo de Quioto em 2002.

Os seis principais GEE, previstos no âmbito do Protocolo de Quioto, são o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), hidrofluorcarbonetos (HFC), perfluorocarbonetos (PFC) e hexafluoreto de enxofre (SF6). As emissões de transportes marítimos e aéreos não foram objecto de qualquer regulamentação neste protocolo.

No Protocolo de Quioto, foram estipulados compromissos de limitação e redução de emissões para cada Parte signatária, excepto países em vias de desenvolvimento, temporariamente dispensados. Portugal, no âmbito do Acordo de Partilha de Responsabilidades entre estados-membros (Decisão n.º 2002/358), ficou obrigado a limitar o aumento das suas emissões dos seis principais GEE a 27% relativamente aos valores de 1990 (ou seja 77,19 MtCO2e/ano), até ao período 2008 a 2012.

A entrada em vigor do Protocolo de Quioto foi difícil pois requeria a assinatura de países que perfizessem pelo menos 55% das emissões de GEE a nível mundial. Perante a possível rejeição da ratificação pelo Senado, então com maioria republicana, o Presidente Bill Clinton só o assinou no fim do seu mandato, decisão logo revogada pelo Presidente George W. Bush. A decisão positiva da Rússia permitiu a entrada em vigor do acordo a 16 de Fevereiro de 2005. Apenas ficaram de fora os EUA e a Austrália.

FINANCIAR UM FUTURO COM MENOS CARBONO

A energia solar e a captura e o armazenamento de carbono deverão receber a maior parte dos fundos adicionais.

De acordo com últimas estimativas da UE, a Europa precisa de gastar mais 50 mil milhões de euros no desenvolvimento de tecnologias limpas na década que se avizinha, ou seja, quase triplicar o seu investimento actual.

No seu plano , a Comissão Europeia propõe a atribuição, ao longo dos próximos dez anos, de 16 mil milhões de euros à energia solar, 13 mil milhões de euros à captura e armazenamento de carbono, 7 mil milhões de euros à energia nuclear e 6 mil milhões de euros à energia eólica.

O reforço do investimento em tecnologias energéticas limpas irá acelerar a transição para uma economia pobre em carbono, o que, segundo o mesmo plano, é fundamental para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e tornar a UE menos dependente da importação de petróleo e gás.

Numa altura em que mal começamos a sair da recessão, 50 mil milhões de euros poderá parecer um montante muito elevado, mas para os especialistas é claro que se trata de um investimento rentável. O mercado das tecnologias está em expansão, oferecendo perspectivas de ganhos significativos e de milhões de empregos para os países que tomarem a dianteira.

«Um maior investimento estratégico na investigação neste momento é uma oportunidade para desenvolver novas fontes de crescimento, garantir uma economia mais respeitadora do ambiente e assegurar a competitividade da UE quando sairmos da crise» declarou Janez Potočnik, o Comissário da Ciência e a Investigação.

O plano reafirma o empenhamento da UE na luta contra as alterações climáticas em vésperas da Conferência das Nações Unidas que se realizará em Copenhaga, em Dezembro, cujo objectivo é chegar a um novo acordo mais ambicioso para atenuar o aquecimento global. O acordo em vigor, o Protocolo de Quioto, chega ao termo no fim de 2012.

Actualmente, a UE gasta cerca de 3 mil milhões de euros por ano com investigação e desenvolvimento sobre energias limpas. O plano propõe um aumento desta verba para 8 mil milhões de euros, ou seja mais 50 mil milhões de euros durante a próxima década. O dinheiro proviria de várias fontes: indústria, banca, investidores privados, autoridades públicas, etc. Cerca de duas dezenas de cidades europeias seriam seleccionadas para lançar os projectos-piloto.

Os combustíveis fósseis como o petróleo, o gás e o carvão representam cerca de 80% da energia actualmente consumida na UE. Mais de 50% dessa energia provém de países terceiros.

ENERGIA PARA O FUTURO

Um pouco por toda a Europa, as cidades assumem o compromisso de reduzir ainda mais as emissões, abrindo assim uma nova frente na luta contra as alterações climáticas.

Numa cerimónia a realizar em Bruxelas, a 10 de Fevereiro, cerca de 300 cidades assumirão o compromisso de ir além do objectivo da UE de reduzir em 20% as emissões de CO2 até 2020. Está prevista a participação de algumas grandes cidades como Bielsko-Biała, Budapest, Hamburgo, Lisboa, Madrid, Riga e Zagrebe.

Este pacto entre autarcas (convenant of mayors) será adoptado durante a conferência anual sobre a energia sustentável onde serão apresentadas as novas tendências na área das tecnologias com baixas emissões de carbono e das energias renováveis. Esta conferência será o mais importante dos eventos que terão lugar em 52 cidades europeias durante a Semana da Energia Sustentável (9 a 13 de Fevereiro) e que inclui a cerimónia de entrega de prémios aos projectos mais inovadores.

Algumas cidades já estão bem posicionadas para atingirem o objectivo dos 20% de redução das emissões de CO2. Um dos municípios mais activos nesta área é a cidade alemã de Heidelberg, que criou uma agência para aconselhar os residentes sobre a melhor forma de poupar energia. «Nos últimos dez anos, reduzimos em quase 40% as nossas emissões de CO2 nos edifícios públicos», adianta Eckart Würzner, Presidente da Câmara de Heidelberg.

A conferência de Bruxelas terá lugar dois meses depois de os dirigentes da UE terem chegado a acordo quanto ao vasto pacote de medidas para reduzir a parte de responsabilidade da Europa nas alterações climáticas. Este plano propõe a reforma mais ambiciosa de que há memória na política energética europeia, tendo por objectivo tornar a Europa no líder mundial das tecnologias com baixas emissões de carbono e das energias renováveis. Por outro lado, estas medidas ajudarão a proteger a economia dos efeitos do aumento dos preços da energia e da incerteza do abastecimento.

Os preços da energia na UE subiram em média cerca de 15% em 2008, parcialmente em resposta à crescente procura por parte dos países em desenvolvimento como a China e a Índia. Mais de 50% da energia da UE vem de países terceiros e a sua dependência energética é cada vez maior. A maior parte desta energia vem da Rússia, cujas disputas com os países de trânsito levaram nos últimos anos a vários cortes no abastecimento. O último corte em Janeiro durou quase duas semanas.

A que dizem respeito as alterações climáticas?

As alterações climáticas correspondem ao conjunto de mudanças que o clima já sofreu e se prevê venha a sofrer. Estas mudanças incluem o aquecimento global, mas também à modificação do regime das chuvas, entre outras.

De acordo com os sucessivos relatórios de avaliação do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), as actividades humanas, nomeadamente o uso crescente do automóvel, contribuíram para um aumento substancial das concentrações de GEE na atmosfera, causando, em acréscimo ao efeito de estufa natural, um aquecimento médio adicional da superfície da Terra e da atmosfera.

Desde 1750, a concentração atmosférica de CO2 aumentou 31% (SIAM). A temperatura média global da atmosfera à superfície aumentou durante o século XX em 0.6ºC +/- 0.2ºC, representando os anos de 1998 e 2005 os anos mais quentes desde que existem registos. Este aquecimento tem acompanhado a fusão de glaciares, a subida do nível médio do mar e o aumento de frequência de condições extremas, como inundações, secas e incêndios florestais, com prejuízos económicos, sociais e ambientais (nomeadamente perda de espécies faunísticas e florísticas). A manterem-se estas tendências, a temperatura média da atmosfera poderá subir 1 a 4ºC até ao fim do século e várias zonas costeiras baixas ou ilhas inteiras do Pacífico poderá ser submergidas.

A produção de electricidade a partir de fontes renováveis, como o vento, a água, o sol ou as marés, pode reduzir o recurso à queima de combustíveis fósseis. O mais recente relatório do IPCC (2007) acentua, na sua mensagem, a responsabilidade humana e refere que parte do aquecimento será inevitável, pelo que a sociedade terá que se preparar e adaptar a estas mudanças (medidas de adaptação). Por outro lado, medidas que visem a redução da emissão de GEE (medidas de mitigação) é necessária para diminuir a escala dos danos para o ambiente, sociedade e economia.

No entanto, continuam a haver cientistas cépticos sobre a possibilidade de estarmos a assistir a uma mudança estrutural do sistema climática, defendendo que estas são alterações pontuais como as que já existiram no passado.

Conheça Växjö… a cidade mais verde da Europa

Na semana em que se assinala o Dia Mundial do Ambiente, viajamos até àquela que é considerada a cidade mais verde da Europa, onde os recursos florestais são o ponto de partida para um projecto ambiental ambicioso.

Há um país onde as florestas não são notícia por causa dos incêndios, mas porque são usadas para produzir energia eléctrica e aquecimento para as casas. E onde os restos do jantar que vão para o lixo são aproveitados para fazer andar o autocarro que se apanha no dia seguinte para o trabalho.
Växjö, na Suécia, foi considerada a “cidade mais verde da Europa” e é apenas um dos exemplos num país que leva a defesa ambiental muito a sério. O governo sueco comprometeu-se a reduzir em 30 por cento as emissões de gases com efeito de estufa até 2020. São mais 10 por cento do que a meta indicativa definida pela União Europeia.
Exemplo desse esforço é a própria capital do país, Estocolmo. A cidade tem há vários anos uma estratégia de promoção de veículos amigos do ambiente, e é líder na Europa a este nível. Neste momento, para se tirar uma nova licença de táxi em Estocolmo, o carro tem de ser um “veículo limpo”. O objectivo é que, já no próximo ano, toda a frota de veículos municipais seja constituída este tipo de carros.
Para facilitar esse objectivo, a câmara municipal promoveu nos últimos anos a construção de dezenas de estação de abastecimento de energias limpas para abastecer os carros, seja biogás, bioetanol ou electricidade. Estocolmo tem ainda projectos de cooperação com outras cidades europeias, entre elas a cidade do Porto.
Em entrevista à Renascença, o presidente da Câmara, Bo Frank, lembra que nos anos 70, “os lagos estavam muito poluídos, e tivemos de avançar com um plano de recuperação das águas” e que, depois, perceberam que “o facto de estarmos rodeados de floresta poderia trazer muitas vantagens”. Por isso, a partir dos anos 80 começaram a usar a biomassa florestal para a produção de energia.“Neste momento nós transformamos os resíduos florestais tanto para a produção de energia eléctrica, como para aquecimento das casas. Complementando com outras fontes de energia renováveis, como eólica ou solar, neste momento mais de 50 por cento da energia que a cidade consome vem de fontes renováveis”, explica.
Os dados ajudam: “Desde então, conseguimos reduzir as emissões de CO2 em 33 por cento, o que é muito bom. Em média, cada habitante de Vaxjo consome menos de 3 toneladas de CO2/per capita. A média da Europa é cerca de 10 toneladas”.
Questionado sobre que conselhos daria a Portugal e às cidades portuguesas, Bo Frank deixa um aviso: “Vocês têm muito potencial ao nível das energias renováveis. Podem, por exemplo, construir mais parques eólicos. Mas também aproveitar este sol magnífico, e usar mais painéis solares! Ah, claro, e devem promover mais os transportes públicos de qualidade. Há muitas coisas a fazer!”.

Brasil é o maior mercado de renováveis e representa 90% dos novos investimentos na América Latina

O Brasil é o maior mercado mundial de energias renováveis e representa mais de 90 por cento dos novos investimentos neste sector na América Latina, assegura um relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente.
Cerca de 46 por cento da energia no Brasil provém de fontes renováveis, graças à enorme capacidade hídrica e à indústria de bio-etanol há muito implantada, informa o relatório "Tendências Globais sobre Investimento em Energias Sustentáveis 2009".
O Brasil, que teve um aumento de investimento de 76 por cento em relação a 2007 (cifrando-se em 7 mil milhões de euros) é ainda o líder mundial em financiamento de energias renováveis, pois, no ano passado, o brasileiro Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social foi o maior fornecedor global de financiamento para projectos nesta área.

Portugal sem potência para construir mais parques eólicos

O presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), António Sá da Costa, defende que "não há potência disponível para construir mais parques eólicos em Portugal".

Segundo o responsável, recentemente indigitado para chefiar o Centro Ibérico de Energias Renováveis e Eficiência Energética, em Badajoz (Espanha), só a construção de novas barragens e centrais reversíveis poderá viabilizar a criação de mais parques eólicos no País, "para lá dos que já estão com pontos de ligação atribuídos".
O presidente da APREN defende a construção das barragens do Tua e do Baixo Sabor, tendo em conta a sua capacidade de armazenagem de energia. "O papel da hídrica será ainda maior, porque se não tivermos forma de armazenar a energia gerada pelo vento durante a noite, em horas de menor consumo, o vento passa e não gera nada", alega.
Com a construção de centrais reversíveis, a energia eólica pode ser aproveitada para bombear água nas albufeiras. "Durante a noite, quando há menos consumo, mas há mais vento, o excesso de electricidade pode ser usado para bombear a água de um nível inferior para um nível superior, para que noutras alturas, quando não há vento e há mais consumo, essa mesma água possa fluir em sentido contrário, gerando electricidade", explica Sá da Costa, acrescentando que "estas centrais reversíveis são indispensáveis ao País, porque permitem armazenar energia, que de outra forma não era utilizada".
Contas feitas, para atribuir mais potência, só quando as grandes centrais hídricas estiverem em funcionamento. "Julgo que só será atribuída mais potência por volta de 2014-2015, para entrar em exploração em 2017-2018, porque esta questão só se resolve com a construção das novas barragens e respectivas centrais", adianta o presidente da APREN.

Energia eléctrica de fontes renováveis cresceu 64% até Março

Portugal mantém-se com tendência ascendente nas energias renováveis, tanto é que segundo os dados do primeiro trimestre de 2009 houve um aumento de 64% da produção de energia eléctrica a partir de fontes renováveis.
Os dados da Direcção-Geral de Energia e Geologia mostram que Portugal continua com uma boa performance no campo das energias renováveis, com um aumento de 64% na produção de energia eléctrica, face a igual período de 2008.
No período terminado em Março, a produção de energia eólica aumentou 14%, em comparação homóloga. A energia hídrica registou uma subida menos acentuada em Março, comparativamente aos dois primeiros meses do ano.
O total da potência instalada renovável atingiu os 8 502 MW no final do primeiro trimestre de 2009.

Programa da ONU diz que Brasil é líder mundial em energias limpas

Um relatório sobre investimentos em energias limpas, divulgado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), qualifica o Brasil como "o maior mercado mundial de energias renováveis".
O relatório "Tendências Globais de Investimentos em Energia Sustentável" afirma que pela primeira vez na história os investimentos em energias limpas superaram em 2008 os feitos em fontes de combustíveis fósseis e chegaram a US$ 155 bilhões.
A seção dedicada à América Latina assinala que o Brasil é "o maior mercado mundial de energias renováveis".
Cerca de 46% da energia que o país consome procede de fontes renováveis e 85% de sua capacidade de geração é energia hidrelétrica e bioetanol, lembra o Pnuma.
Além disso, cerca de 90% de seus automóveis novos funcionam tanto com álcool como com gasolina (misturada com 25% de etanol). No final de 2008, o etanol representava mais de 52% do combustível consumido por veículos leves.
O Brasil é um dos líderes mundiais em financiamento de energias renováveis. Em 2008, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiou mais projetos de energias renováveis que qualquer outra instituição financeira do mundo.
O relatório destaca que embora o Brasil represente mais de 90% dos novos investimentos na América Latina, Chile, Peru e México também estão aumentando seu apoio institucional às energias limpas.

A Máfia atacou as eólicas da Sicília e apanhou a Martifer de surpresa

A Cosa Nostra infiltrou-se nas energias renováveis, numa região onde a Martifer, a Enel e a EDF têm investimentos.

Parece um filme sobre Al Capone, sobre a máfia, mas não. É, ao que diz a imprensa italiana, o retrato do sector das energias renováveis no Sul de Itália, a terra natal da Cosa Nostra siciliana e da Camorra napolitana.
É que a máfia siciliana está de novo na ordem do dia. Altos magistrados têm-na debaixo de olho, com a denominada "operação vento" (um furacão mais fraco). Em causa está o processo de licenciamento de novos parques eólicos na região. Segundo rezam as crónicas, uma importante família mafiosa está a oferecer dinheiro e votos às autoridades locais, garantindo em troca licenças de construção para parques eólicos, que mais tarde venderá a companhias italianas e multinacionais.

Austrália quer construir a maior central solar do mundo

A Austrália quer construir a maior central solar do mundo, capaz de produzir mil megawatts de energia, num investimento de cerca de 777 milhões de euros, anunciou hoje o primeiro-ministro Kevin Rudd.
“O Governo pretende investir com a indústria na maior central de produção de energia solar do mundo, que será três vezes maior do que a actual, que está na Califórnia”, disse Rudd. Os detalhes serão revelados no final do ano e os candidatos à construção da central deverão ser nomeados no primeiro semestre de 2010.
Rudd justificou o desafio com a necessidade de “apoiar um futuro limpo para a Austrália, de promover a actividade económica e para criar postos de trabalho”. O primeiro-ministro sublinhou ainda que a Austrália quer ser líder na energia renovável. “Não queremos ser seguidores, queremos ser líderes”.
Mas não é tudo. Kevin Rudd adiantou que, eventualmente, esta central será o primeiro passo para criar uma rede de centrais solares por todo o país. As localizações serão escolhidas de forma a integrar-se na actual rede eléctrica.
O investimento de 777 milhões de euros faz parte de um pacote de 2,5 mil milhões de euros para energias limpas, iniciativa do Governo de Camberra.
Rudd adiantou ainda que a Austrália vai tornar-se membro de pleno direito da Agência Internacional das Energias Renováveis (IRENA, sigla em inglês). O seu primeiro encontro global está marcado para Junho. A IRENA foi criada oficialmente em Bona, a 26 de Janeiro deste ano. Até ao momento, 80 Estados já assinaram os seus estatutos: 29 africanos, 27 europeus, 16 asiáticos e oito latino-americanos. Portugal está na lista.

Obama quer criar milhões de empregos nas energias renováveis

O governo norte-americano vai dar esta semana os primeiros passos na criação de um plano energético que permita gerar milhões de empregos no sector das renováveis e ajudar a economia norte-americana a sair da crise.
Fonte da Administração Obama disse à Reuters que a reunião de quarta-feira do grupo de trabalho para reanimar a economia vai centrar-se na elaboração de recomendações com vista à criação de um novo plano energético nacional.
O objectivo do grupo, encabeçado pelo antigo presidente da Reserva Federal norte-americana Paul Volcker, é garantir a criação de condições para que se gerem milhões de empregos nas energias limpas, que são uma das prioridades de Barack Obama.

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