A utilização de tecnologias no âmbito das Energias Limpas, ou seja eficiência energética e energias renováveis tem crescido enormemente nas últimas décadas.
Tecnologias, consideradas no passado como exóticas, estão agora disponíveis no mercado, representando alternativas economicamente viáveis aos sistemas baseados na utilização de combustíveis fósseis com todos os problemas associados, nomeadamente no que concerne à emissão de gases com efeito de estufa.

Emissão de gases com efeito de estufa cairá a partir de 2010

São apenas cenários.
Portugal estará a passar por um pico de emissões, que se prolongará até 2010. Mas depois, nos 40 anos seguintes, poderá haver uma redução constante e sustentada das emissões. De 2050 a 2070, o ritmo de diminuição abrandará. Estas são algumas das estimativas do projecto Misp - Mitigation Strategies in Portugal, promovido pelo Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian e que será apresentado hoje em Lisboa.
Não poderia surgir em melhor altura. A comunidade internacional quer encontrar, até 2009, um substituto para o Protocolo de Quioto - que prevê uma redução média de 5,2 por cento das emissões nos países industrializados -, documento com um fim anunciado para 2012.
Está-se em fase de negociações para novas metas e este estudo pode ajudar Portugal a saber qual o seu lugar, diz Ricardo Aguiar, co-autor do estudo e investigador no INETI (Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação), a par de Filipe Duarte Santos, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Segundo o Misp - o primeiro estudo a estimar as emissões de Portugal até 2020 e 2050 e elaborado ao longo de quatro anos - "Portugal pode acompanhar o forte esforço europeu de redução de emissões durante várias décadas, apesar de um pouco desfasado", explica o investigador.
Em causa está uma redução de 20 por cento de emissões até 2020, meta proposta pela União Europeia, bloco de força que tem vindo a liderar a defesa da redução das emissões como principal solução para as alterações climáticas, em oposição aos Estados Unidos, por exemplo.
A administração Bush, que rejeitou oficialmente Quioto em Março de 2001, assumiu as novas tecnologias como a melhor forma de combater o sobreaquecimento global.
Portugal terá ainda margem de negociação devido aos sumidouros de carbono - como as florestas - e os mecanismos de Desenvolvimento Limpo, previstos no Protocolo de Quioto.
Até 2070, cada habitante deverá emitir, em média, uma tonelada de gases com efeito de estufa por ano. Estima-se que em Portugal, cada pessoa emita hoje, em média, oito toneladas por ano. Mas a redução de emissões até 2050 deverá ser de forma natural, diz Ricardo Aguiar, salientando que o ritmo varia consoante os quatro cenários previstos pelo estudo.
A tendência explica-se pelo aumento gradual da expressão das energias renováveis, como a eólica, a mini-hídrica, das ondas e a fotovoltaica. Mas não só. Três dos quatro cenários do Misp admitem que Portugal estará já a entrar numa fase de estagnação populacional e de abrandamento em vários sectores, como os parques habitacional e automóvel ou ainda do movimento de pessoas dos campos para as cidades. "O ritmo a que as pessoas trocam um estilo de vida de baixas emissões por um de altas emissões já está a abrandar", diz Aguiar.
O Misp situa o pico da procura de energia entre 2030 e 2040.
Carros a energia eléctrica
O decréscimo das emissões de 2010 a 2050 explicar-se-à ainda pela melhoria das tecnologias, por exemplo no sector dos combustíveis e automóveis. "Prevemos que os automóveis com motorização eléctrica sejam dominantes entre 2030 e 2040 em relação aos automóveis com motorização a gasolina e a diesel", avança.Além disso, será mais usual o sequestro de carbono em centrais termoeléctricas, cavernas subterrâneas ou minas abandonadas. "Esta tecnologia tem um papel importante para manter o ritmo de queda das emissões", comenta Ricardo Aguiar.
A consciencialização e sensibilização da sociedade civil - fenómeno mais expressivo, em Portugal, a partir da década de 80 - também conta. "Passamos de uma situação em que temos apenas alguns activistas que arrancam com o processo para uma fase em que vão existir regulamentos que obrigarão as pessoas a ser eficientes. Depois segue-se a fase da massificação e normalização das soluções".
Estes resultados, porém, são considerados demasiado optimistas pela Quercus.
Depois de 2050 a redução será menor
O esforço europeu de redução de emissões "não vai destruir a nossa economia nem implicará soluções radicais", sublinha Ricardo Aguiar, investigador.
Na fase pós-2050, a introdução de melhorias ao nível da eficiência será mais difícil, pelo que o ritmo de redução de emissões tenderá a diminuir. Para o fim ficarão sectores onde é mais difícil conseguir reduções de emissões, como a pecuária e o transporte marítimo.
Mas, para os autores do estudo, a sessão pública de apresentação de resultados hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, não representa o fim do Misp (Mitigation Strategies in Portugal). "É a abertura aos vários especialistas sectoriais, para que possam colaborar e dar o seu contributo. Temos a ambição de que este projecto seja constantemente actualizado e que evolua", comentou Ricardo Aguiar.
O projecto foi construído com base nos modelos adoptados pelo IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) e aplica-se aos sectores dos edifícios residenciais e de serviços, transportes de passageiros e mercadorias, indústria, construção civil e obras públicas, processos industriais, agricultura, pecuária, pescas, florestas, resíduos, refinarias e distribuição de combustíveis, centrais termoeléctricas a combustíveis fósseis, centrais nucleares e energias renováveis.
Fonte: Publico.pt

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