A utilização de tecnologias no âmbito das Energias Limpas, ou seja eficiência energética e energias renováveis tem crescido enormemente nas últimas décadas.
Tecnologias, consideradas no passado como exóticas, estão agora disponíveis no mercado, representando alternativas economicamente viáveis aos sistemas baseados na utilização de combustíveis fósseis com todos os problemas associados, nomeadamente no que concerne à emissão de gases com efeito de estufa.

2007: Alterações climáticas subiram ao topo da agenda mundial

O ano de 2007 foi um marco histórico para as alterações climáticas, que subiram à agenda política e económica das principais potências mundiais, receberam um prémio Nobel e foram tema de várias obras de literatura.
Os cientistas assumiram pela primeira vez este ano que o planeta está mesmo a aquecer «muito provavelmente» por causa da intervenção humana e que, se nada for feito, as consequências poderão ser irreversíveis.
O último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), divulgado em Fevereiro, em Paris, revelou que o planeta vai aquecer entre 1,8 e 4 graus Celsius até ao final do século, fazendo subir o nível do mar até 58 centímetros e multiplicando as secas e vagas de calor.
Desde o primeiro relatório do IPCC, em 1990, a comunidade internacional adoptou a convenção da ONU sobre alterações climáticas e o Protocolo de Quioto para travar a subida das emissões de GEE, mas os resultados foram fracos.
Os cientistas avisaram este ano que as emissões mundiais de gases com efeito de estufa têm de começar a baixar a partir de 2015 para que o aumento médio da temperatura global se mantenha entre 2 e 2,4 graus Celsius.
Para descobrir como minimizar os impactos deste aquecimento, e descobrir todas as suas causas, cientistas gregos anunciaram que vão examinar pinturas antigas para perceber a intensidade do vermelho do pôr-do-sol criado pelos pintores e ver se tem relação com os grandes vulcões do passado que, pensam, poderão ter contribuído para o aquecimento global.
Também os economistas estão preocupados, com os custos das alterações climáticas, nomeadamente os investimentos que as empresas vão ter de fazer para reduzir as suas emissões de gases com efeitos de estufa.
No início deste ano, no 37º Fórum Económico Mundial, um dos encontros internacionais mais importantes nesta área, o tema das alterações climáticas ocupou parte da agenda, depois terem sido recebidos muitos pedidos dos membros do Fórum para serem colocadas as questões ambientais e climáticas no centro do debate.
A opinião pública mundial, atenta e preocupada com os impactos do aquecimento global, tem pressionado os dirigentes dos países desenvolvidos a dar prioridade na agenda política a este assunto, antes reservado a um círculo restrito de especialistas.
Na Europa, os 27 Estados membros chegaram em Março a acordo para metas vinculativas que minimizem os efeitos das alterações climáticas, comprometendo-se a conseguir que 20 por cento do consumo energético europeu tenha origem em energias obtidas de fontes primárias renováveis (vento, água, sol e biomassa) até 2020.
Os líderes europeus também assumiram o compromisso de reduzir, até 2020, pelo menos, 20 por cento das emissões de gases com efeito de estufa (responsável pelo aquecimento global do planeta), em relação aos níveis de 1990, e de 30 por cento se os restantes países desenvolvidos se comprometerem a atingir reduções de emissões «comparáveis».
Em Portugal, o tema foi este ano escolhido pelo primeiro-ministro, José Sócrates, para um debate mensal da Assembleia da República.
Os norte-americanos, cujo actual presidente George W. Bush rejeitou o Protocolo de Quioto em 2001, não têm dúvidas sobre o aquecimento do planeta: 74 por cento declaram-se hoje mais convencidos desta realidade do que há dois anos, segundo uma sondagem encomendada pela Federação Nacional da Vida Selvagem e citada pela agência France Presse (AFP).
Alguns estados norte-americanos anteciparam-se ao presidente e puseram já em marcha programas de redução das emissões de gases com efeito de estufa, como é o caso da Califórnia, cujo governador é o republicano Arnold Schwarzenegger.
O documentário do ex-vice-presidente Al Gore sobre as alterações climáticas («Uma verdade inconveniente») também contribuiu para mobilizar a opinião pública e conseguiu mesmo uma nomeação para o Óscar na categoria de Melhor Documentário.
Em Outubro, o relatório do antigo economista do Banco Mundial Sir Nicholas Stern, que estimava os custos económicos do aquecimento global em mais de 5,5 mil milhões de euros, se não forem tomadas medidas urgentes, caiu como uma bomba.
Este ano, em Setembro, o debate geral da assembleia-geral das Nações Unidas também foi dominado pelo tema das alterações climáticas, que reuniu a atenção de centenas de chefes de Estado e de governo em Nova Iorque.
Nesta conferência foi lançado o calendário das negociações que vão conduzir, no final de 2009, a um acordo para acelerar e acentuar a redução das emissões de gases com efeito de estufa.
Depois da sua ratificação, que deve demorar dois anos, o acordo vai à primeira fase de cumprimento do Protocolo de Quioto que termina em 2012.
O tratado tem sido discutido desde 2001, quando os Estados Unidos da América, os maiores poluidores do mundo, anunciaram que não iam ratificá-lo.
O presidente George W. Bush tem sido um opositor dos constrangimentos impostos pelas metas de Quioto e advoga a adopção de medidas voluntárias, apoiadas pela transferência de tecnologias.
Para conseguir fazer vingar a sua tese, os Estados Unidos organizaram um encontro em Washington, três dias depois do das Nações Unidas em Nova Iorque, tendo convidado os 16 países mais poluidores do mundo, como a China e Índia, bem como representantes da União Europeia e da ONU.
O agendamento deste encontro por parte dos Estados Unidos, poucos dias depois ao promovido pela ONU, levou especialistas internacionais a encarar a reunião de Washington como uma forma de a administração norte-americana estar a preparar um boicote às decisões tomadas no âmbito das Nações Unidas sobre alterações climáticas.
O Nobel da Paz foi atribuído este ano ao antigo vice-presidente norte-americano Al Gore e ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) pelos esforços para aumentar o conhecimento sobre mudanças climáticas, anunciou o comité Nobel norueguês.
O prémio foi atribuído conjuntamente pelos esforços de recolha e difusão de conhecimentos sobre as mudanças climáticas provocadas pelo Homem e por lançar os fundamentos para a adopção de medidas necessárias para a luta contra estas alterações.
Em Portugal, o tema das alterações climáticas tem sido alvo de dezenas de debates, alguns dos quais internacionais e organizados pela presidência portuguesa da União Europeia.
Também na literatura o tema do aquecimento global tem sido capa de várias obras literárias, entre as quais a do especialista em alterações climáticas Filipe Duarte Santos e a do jornalista José Rodrigues dos Santos.
Depois de duas semanas de impasse, a 14 de Dezembro delegados de 180 países reunidos em Nusa Dua, Bali, Indonésia, chegaram a acordo para iniciar até Abril de 2008 as negociações para um novo protocolo que sucederá ao de Quioto, que tem como prazo de validade 2012.
Esta décima terceira Conferência Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) foi a primeira que a realizar-se depois de um painel independente de cientistas ter concluído que as alterações climáticas são «muito provavelmente» causadas pela actividade humana.
Segundo estabelecido no acordo alcançado em Bali, as negociações para o novo protocolo de combate às alterações climáticas deverão terminar no final de 2009, tendo como objectivo central uma redução de 25 a 40 por cento das emissões de gases até 2020 e de 50 por cento até 2050.
Na sequência deste acordo, o ministo da Ambiente português, Nunes Correia, referiu que em Portugal, a aposta será «nas energias renováveis e no desenvolvimento de uma economia mais eficiente do ponto de vista familiar», nomeadamente nos painéis solares, na energia solar térmica, no uso de viaturas híbridas ou de baixo consumo e na utilização dos transportes colectivos.

Fonte: Diário Digital / Lusa

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