A utilização de tecnologias no âmbito das Energias Limpas, ou seja eficiência energética e energias renováveis tem crescido enormemente nas últimas décadas.
Tecnologias, consideradas no passado como exóticas, estão agora disponíveis no mercado, representando alternativas economicamente viáveis aos sistemas baseados na utilização de combustíveis fósseis com todos os problemas associados, nomeadamente no que concerne à emissão de gases com efeito de estufa.

ENTREVISTA A MANUEL PINHO

Extracto da entrevista no Correio da Manhã a Manuel Pinho, ministro da economia e inovação, salienta o papel decisivo das PME na recuperação da economia, afirma que o melhor indicador de mudança é o número de falências e criação de empresas e diz que a aposta nas renováveis é um êxito.
- A presença do Estado no sector energético vai ser reduzida?
- Portugal já está numa situação em que não deve reduzir. O sector da energia é um sector com uma importância verdadeiramente estratégica, mais do nunca, e acho que não seria nem prudente nem aconselhável o Estado reduzir a sua presença.
- Não vai reduzir na EDP e na REN?
- Sobretudo na EDP e na REN.
- Mas na REN havia uma expectativa do Estado poderia ficar com uma participação muito menor.
- O senhor primeiro-ministro pronunciou-se acerca disso e foi muito claro. Quer sobre a REN quer sobre a EDP. E sobre isso não vale a pena dizer mais nada. E note-se que na REN nós somos um dos três países na Europa em que fizemos o destacamento dos activos de transporte e armazenamento de gás e electricidade para uma empresa e depois juntámos os de gás e de electricidade nessa mesma empresa e em terceiro lugar pusemos essa empresa na bolsa. Ora só há mais dois países na Europa que o tenham feito. E portanto não se justifica neste momento ir além disso. Tanto mais que o desafio energético é um desafio verdadeiramente central nas sociedades modernos.
- Há uma grande aposta nas energias renováveis e agora nas hídricas com as novas barragens. Como é que está a avançar esse processo? Vai andar a sério?
- Vai avançar com grande determinação. A Comissão Europeia estabeleceu os objectivos até 2020 em termos de energias renováveis para todos os países europeus. A Portugal foi-lhe fixado o quinto objectivo mais ambicioso em termos de produção de energia a partir de fontes renováveis. E se é da Europa pode-se dizer que é do mundo. Mais do que Portugal temos a Suécia, Áustria, Dinamarca e a Lituânia. O resto é menos ou muito menos do que Portugal.
- E qual é o valor desse objectivo?
- O objectivo é de 31 por cento. Gostava de fazer aqui uma clarificação porque se fala muito em 45 por cento, que é o nosso objectivo para 2010. Pode parecer um contrasenso, mas não é. Quarenta e cinco por cento é a produção de electricidade a partir de fontes renováveis. Trinta e um é mais do que electricidade. É toda a energia primária.
- Não é um objectivo ambicioso?
- Repare. Trinta e um por cento para Portugal compara com 16 por cento para o Reino Unido, 21 por cento da Alemanha. A Portugal foi fixada uma meta muito mais exigente do que aos outros países. Acredito muito sinceramente que Portugal que vai lá chegar.
- Não há um contrasenso no que se está a fazer na economia e na energia, por exemplo, e o resto do País? As barragens estão a ser contestadas, há providências cautelares, projectos turísticos suspensos. Não há um desfasamento?
- Honestamente não concordo com isso. E não vale a pena generalizar. Vamos olhar para a energia hídrica. Portugal tem uma grande riqueza em termos de água e de vento. Não aproveitarmos a água e o vento seria o equivalente à Venezuela não aproveitar o petróleo. Houve uma grande aposta na energia hídrica no antigo regime, até ao 25 de Abril. E depois, inexplicavelmente, esta aposta foi abandonada. Portugal, neste momento, aproveita apenas 45 por cento dos seus recursos hídricos, quando a média dos países europeus é de 70 por cento.
- É muito pouco.
- Isto mostra bem que nós não queremos, no que diz respeito ao hídrico, fazer algo que seja mais do que a média. Apenas queremos retomar um projecto que é muito sensato, que é muito bom em todos os aspectos, um forma de produção de electricidade muito económica, é bom para estabilização dos leitos dos rios, é bom para o combate aos incêndios, é bom para estabilizar as populações. Nós apenas queremos chegar à média europeia. Não queremos ir além disso. Cheguemos nós à media europeia. É esta a minha missão. Juntamente com o vento, resolvemos grande parte do nosso desafio energético nas fontes renováveis. Portanto, não me parece justo argumentar que há um desfasamento entre os objectivos políticos e o País.
- Mas não lhe parece que existem no País forças objectivamente de bloqueio a todo esse processo? Justiça, ambientalistas?
- Há várias forças que muitas vezes tentam travar o progresso da sociedade. Eu creio que a aposta no hídrico é um excelente exemplo. Porque o que se está a pretender fazer é uma política sensata, uma política que faz sentido. Uma política boa para os portugueses, uma política em que não queremos ser pioneiros. Se atingirmos a média europeia em recursos hídricos isso já resolve o nosso problema. Depois é necessário criarmos fontes de produção de energia que sejam baratas para as famílias e para as empresas. Além disso, antes da selecção das novas dez barragens foi feita uma avaliação estratégica importante do ponto vista ambiental. Ou seja, não se apontou para todos os projectos potenciais. Dos potenciais, seleccionaram-se os dez com menos impacto ambiental. E esses trabalhos foram feitos por comissões independentes.

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