A utilização de tecnologias no âmbito das Energias Limpas, ou seja eficiência energética e energias renováveis tem crescido enormemente nas últimas décadas.
Tecnologias, consideradas no passado como exóticas, estão agora disponíveis no mercado, representando alternativas economicamente viáveis aos sistemas baseados na utilização de combustíveis fósseis com todos os problemas associados, nomeadamente no que concerne à emissão de gases com efeito de estufa.

Petrolífera norueguesa quer parcerias com Galp e EDP

As energias renováveis são a aposta da StatoilHydro, que vem a Portugal para reunir com as empresas portuguesas.
A StatoilHydro, a principal petrolífera norueguesa com uma produção de 1.724 milhões de barris por dia, quer estabelecer parcerias com as portuguesas Galp e EDP na área das energias renováveis, um negócio que agora está a começar a desenvolver. O objectivo é desenvolver projectos conjuntos, em Portugal ou noutros mercados onde estas empresas estejam, principalmente no desenvolvimento de parques eólicos ‘off-shore’ (no mar).
De acordo com a vice-presidente para as energias renováveis da Statoil, Anne Lycke, “Portugal tem uma costa imensa que pode ser aproveitada para este tipo de projectos”. Na próxima semana, mais precisamente de 27 a 29 de Maio – durante a visita dos reis da Noruega a Portugal – a petrolífera desloca-se a Lisboa para participar num seminário sobre energias renováveis, mas também para reunir com a Galp e com a EDP. As empresas portuguesas não confirmaram a existência destas reuniões, mas, em entrevista ao Diário Económico, Anne Lycke foi peremptória: “Há conversações com a Galp e com a EDP na área das renováveis. São ambas parceiras muito importantes e vamos ter reuniões com eles aquando da visita.
” Nessa ocasião, a StatoilHydro pretende ainda apresentar às empresas portuguesas na área das renováveis, uma nova torre eólica ‘off-shore’ desenvolvida internamente. “Trata-se de uma torre que flutua como as plataformas de petróleo”, explicou a vice-presidente da empresa. Na Noruega, o primeiro protótipo desta torre começará a funcionar em 2009 com uma capacidade de apenas 2,3 megawatts (MW). “Para já terá apenas esta turbina porque o que queremos é testar o conceito flutuante e não a turbina”, disse ainda. “Gostávamos de explorar este conceito em Portugal. O nosso objectivo é exportar a tecnologia das eólicas para outros países que estejam interessados em ‘off-shore’ e ao mesmo tempo ter uma empresa como nós, virada para o petróleo, a fazer energia renovável”, afirmou. Actualmente, a StatoilHydro tem projectos na área das renováveis na Lituânia, no negócio da biomassa; em Inglaterra, nas eólicas ‘off-shore’ em profundidades baixas; e ainda em Portugal, com um projecto de energia das ondas, no norte do País. Este projecto já está em operação, com uma capacidade para 750 quilowatts. “É o primeiro e único projecto do género, mas é também o mais avançado”, referiu, mas alertando que “É perfeitamente fazível mais um projecto em Portugal. Não há limites”.
Statoil com reservas de seis mil milhões de barris
Na Noruega, a StatoilHydro, que é detida a 67% pelo Estado, está empenhada em reforçar a sua presença nas renováveis, mas não para o abastecimento da população. “98% da nossa energia é renovável, porque vem da água, mas temos vontade de gerar novas formas de fazer energia para outros usos”, disse Anne Lycke. Actualmente, na Noruega produz-se 120 TWh (terawattshora) por ano. Nesse sentido, a StatoilHydro está a investir na produção de hidrogénio, na tecnologia solar (para exportação), na energia das ondas e ainda na captura de carbono. Projectos para os quais não quis adiantar valores de investimentos, apenas referindo que estão na casa dos milhões. “Dos nossos lucros do petróleo estamos a tentar criar uma nova empresa na área das renováveis. Mas o petróleo e o gás são o nosso negócio e nunca vão deixar de ser”, reforçou. A StatoilHydro continua a apostar na produção de petróleo e gás, tendo reservas previstas de mais de seis mil milhões de barris. O ano passado, as receitas atingiram os 23 mil milhões de euros, só com o petróleo e gás. No entanto, a maior parte da sua produção é para exportação e não para consumo directo. Aliás, na Noruega apenas é consumido 99% do petróleo que é produzido. No gás, o país escandinavo é já o segundo maior exportador, depois da Rússia.
Noruega recusa depender do petróleo
“Nunca seremos um país dependente do petróleo.” As palavras são da secretaria de Estado do Petróleo e da Energia da Noruega, Liv Monica Stubholt. Este país da Escandinávia não é, nem quer ser, dependente do dinheiro do crude. Por isso, guarda as receitas conseguidas com as exportações num fundo com vários destinos, incluindo a protecção das florestas tropicais ou as pensões sociais da sua população. Deste fundo que já atingiu os 2.000 mil milhões de coroas norueguesas (256 mil milhões de euros), apenas se pode gastar 4% para despesas internas. O ambiente é outra das preocupações do governo norueguês. “A indústria está a ser desafiada a ser mais sustentável. Queremos que sigam o nosso exemplo nas renováveis e na captação de carbono. Queremos ter mais renováveis no uso de combustíveis”, disse Liv Monica Stubholt. É por isso que se preparam para lançar três novos projectos de eólicas ainda este ano, e ainda alterar os regulamentos para facilitar a atribuição de licenças de exploração.
Fonte: Diário Económico

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