A utilização de tecnologias no âmbito das Energias Limpas, ou seja eficiência energética e energias renováveis tem crescido enormemente nas últimas décadas.
Tecnologias, consideradas no passado como exóticas, estão agora disponíveis no mercado, representando alternativas economicamente viáveis aos sistemas baseados na utilização de combustíveis fósseis com todos os problemas associados, nomeadamente no que concerne à emissão de gases com efeito de estufa.

O NOVO NEGÓCIO DE VENDER QUOTAS DE POLUIÇÃO

Os génios dos "valores virtuais" descobriram que é possível vender, comprar e trocar quotas de poluição, e estão a fazer disso um novo negócio. Conclusão, as políticas de protecção do ambiente assim avançam a passo de caracol.
Enquanto isto, os cépticos do aquecimento global adiam soluções, e em Portugal a crise económica vai ser pretexto para "acimentar" as reservas naturais. Afinal, a quem interessam as cobras e os mosquitos?
Há algumas contas que se conseguem fazer mesmo sem ter tirado um curso superior de Matemática. Aqui está um exemplo: com a aprovação do programa conhecido por 20-20-20, a UE desenhou três grandes metas para o ano 2020: reduzir em 20% as emissões de gases com efeito estufa, garantir que 20% da energia consumida seja oriunda de fontes renováveis e aumentar em 20% a eficiência no uso da energia.
A conta que proponho para 2009 é muito simples: faltam agora 10 anos (mais uns trocados) para a data limite e, por isso, se dividirmos os objectivos por 10 teremos aquilo que é preciso fazer no próximo ano, ou seja, reduzir em 2% as emissões, pedir às energias renováveis mais 2% e finalmente exigir dos consumidores de energia mais 2% de eficiência. Parece fácil? Vamos lá começar por apagar a luz que ficou acesa.


Passos de caracol
Com as fábricas de automóveis a parar a produção e as de calçado a mudarem-se para a China, a Europa fica com poucas ocupações rentáveis. Já se percebeu que isto de vender acções e dinheiro que na verdade não existe, é chão que já deu uvas. Imaginaram-se, então, outros valores virtuais. Foi aí que alguém se lembrou de aproveitar as necessidades de redução de gases de efeito estufa, para "inventar" que os direitos de poluir também se podiam comprar, vender e trocar. O negócio pegou e atinge hoje milhões de dólares, ultrapassando logo no seu primeiro ano a venda de hipotecas de barracas nos subúrbios das cidades americanas. E em 2009 vai surgir ainda mais um mercado: a possibilidade de trocar certificados verdes, ou seja, negociar o uso e desenvolvimento de fontes de energias renováveis.


É complicado? Não, é muito simples - o país A tem de aumentar o uso de energias alternativas, mas não está para isso nem quer investir nesse campo. Por outro lado, o país B, que tem imenso vento na costa, produz mais do que aquilo a que é obrigado. Vai daí, na folha de cálculo final, transfere-se um número de uma coluna para a outra e… já está. Entretanto, numa outra folha com os extractos bancários, passa-se uns milhões de euros, mas no sentido inverso. Todos ficam bem, porque os objectivos aparentemente foram cumpridos, excepto a protecção do Ambiente que avança a passo de caracol.

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