A utilização de tecnologias no âmbito das Energias Limpas, ou seja eficiência energética e energias renováveis tem crescido enormemente nas últimas décadas.
Tecnologias, consideradas no passado como exóticas, estão agora disponíveis no mercado, representando alternativas economicamente viáveis aos sistemas baseados na utilização de combustíveis fósseis com todos os problemas associados, nomeadamente no que concerne à emissão de gases com efeito de estufa.

O desafio da eficiência enegética em Portugal

Tal como o Parlamento Europeu reconheceu numa série de resoluções, a promoção das fontes de energia renováveis e das tecnologias energeticamente eficientes tem um papel importante a desempenhar na luta contra as alterações climáticas e na redução da dependência da UE em relação às fontes de energia externas.
A UE comprometeu-se em Dezembro último a atingir a meta de 20% de energias renováveis até 2020, sendo que para cada Estado-membro foram determinadas metas individuais de forma a distribuir o esforço equitativamente (tendo em conta o estádio de desenvolvimento do país e a quota de renováveis em 2005).
A meta atribuída a Portugal (31% de energia renovável até 2020) é, aparentemente, exequível. Contudo, não é certo que o programa apresentado pelo Governo Português, que vai além desta meta, chegue a bom porto, principalmente numa época de crise económica e de baixo preço do petróleo.Apesar do constante crescimento das necessidades energéticas e da dependência face ao exterior, Portugal ainda é um dos países da UE com menor consumo de electricidade per capita. Só a Letónia, a Lituânia, a Polónia e a Hungria registam consumos mais baixos. Por seu lado, e segundo o Eurostat, a intensidade energética do nosso país (mede a eficiência energética da economia) em 2005 era de 250 kg de equivalente de petróleo por 1000€ de PIB, o 14° melhor valor da EU a 27, estando pior que todos os antigos Estados-membros, excepto a Finlândia.
Pode-se assim concluir que o país ainda não tem níveis de consumo energético característicos dos países mais desenvolvidos e que a eficiência energética da economia é típica de um país relativamente atrasado.
Face a este quadro e à situação económica actual, podemos questionar se o programa que o Governo apresentou é realista.
O nosso país espera poder produzir energia renovável suficiente para atingir a meta de 31% do consumo final de energia em 2020 e vender o resto a EM que não cumpram as suas metas.
Segundo o Governo, os objectivos serão atingidos não só com o incremento de todos os vectores energéticos do lado da oferta, mas também pela promoção da eficiência energética e da utilização racional de energia, visando um crescimento do consumo de electricidade inferior ao crescimento do PIB.
Contrastando com a panóplia de publicidade governamental relativa a investimentos em energias renováveis, é o lado da procura que se encontra esquecido e que mais dificuldades apresenta. De facto, a política do Governo para a eficiência energética tem sido inconsequente (veja-se o caso do recente diploma sobre a certificação energética dos edifícios) ou então perfeitamente inexistente.Esperava-se muito mais no sentido de melhorar a mobilidade e o ordenamento do território, de promover o urbanismo e a arquitectura bio-climática, assim como a microgeração e a eficiência energética do sector dos serviços.

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